Colunistas

Willian Martins: Uma singela homenagem a uma grande comunicadora

• Bookmarks: 13


A apresentadora Hebe Camargo não foi simplesmente mais uma personalidade midiática, mas um ícone que gravou sua marca na história da televisão brasileira.

Exatamente no fatídico dia 29 de setembro de 2012, a apresentadora brasileira Hebe Camargo dava o seu último adeus aos seus milhares de espectadores, ao morrer após uma parada cardíaca, aos 83 anos. Talvez hoje, poucos jovens tenham pesquisado ou compreendido a trajetória desta mulher tão emblemática, valorosa, e tão virtuosa quanto às pessoas. Procurarei, humildemente, falar um pouco da carreira desta grande ícone da história brasileira.

Nascida na cidade de Taubaté (SP) no ano de 1929, a bela garota não imaginava (em um período onde o rádio mal alcançava todas as casas das pessoas) que, futuramente, viria a ser um dos maiores ícones de um dos inventos mais incríveis do século passado, a televisão.

Ainda em sua juventude (com cerca de 15 anos de idade), a irreverente dama começava sua carreira como cantora na saudosa rádio Tupi, na grande São Paulo. Sua voz e suas performances já despertavam a paixão e os sentimentos de muitos ouvintes, os quais admiravam os grandes talentos midiáticos e a exuberância da promissora moça. Quando os impressionantes aparelhos de TV começaram a vir para o Brasil, os antigos canais midiáticos de rádio evoluíram para a mídia televisiva. Além dos programas jornalísticos, as primeiras emissoras do país focavam (fortemente) em programas de auditório e entretenimento musical. Exatamente no ano de 1955, Hebe foi convidada a comandar o primeiro programa feminino da TV brasileira, intitulado “O Mundo é das Mulheres”. Foi ela a primeira mulher a aparecer em uma transmissão televisiva na história brasileira. Até então, a apresentadora aparecia em suas transmissões com os cabelos escuros (o que poucos sabem, tratava-se de seu tom original). A mesma só viria a assumir o cabelo loiro (uma de suas maiores marcas) a partir do ano de 1957.

Durante os anos 60, em seu programa na RecordTV (intitulado “Hebe”), muitas das maiores personalidades da jovem guarda passaram pelo seu famoso sofá. Ainda por esta emissora, estrelou a única novela em toda a sua carreira, a famosa produção “As Pupilas do Senhor Reitor”.

Cabe lembrar um grave fato ocorrido em 8 de setembro de 1981, quando Hebe sofreu um acidente com o então marido Lélio Ravagnani e mais quatro amigos. O avião em que estavam sofreu uma pane no motor esquerdo e caiu. Após o acidente ela comentou sobre o fato: “Eu vi a morte de perto”.

 Em 1985 em meio a uma transmissão ao vivo de seu programa (então transferido para a TV Bandeirantes), jogou o microfone no chão e reclamou que a emissora deveria dar um melhor tratamento ao programa, novos cenários, músicos na orquestra e mais produtores, o que a emissora prometeu atender. Após este conturbado período, a simpática apresentadora foi contratada pelo SBT de Silvio Santos, onde, segundo ela própria, sentiu-se realmente em casa.

Na emissora paulista, Hebe apresentou seu programa próprio por mais de duas décadas, sendo um dos talk shows mais queridos da população brasileira. Além disso, também participou de especiais produzidos, como “Romeu e Julieta”, uma sátira de comédia na qual contracenou com verdadeiras lendas do humor e das novelas, dentre elas a atriz Nair Bello e o ator Ronald Gollias. Além disso, fez participações icônicas em programas humorísticos e de auditório. Há de se destacar que, em todos os episódios de seu programa ou em participações em outras produções, a diva sempre procurava trazer humor e irreverência sem utilizar de baixo calão (algo que sempre foi muito respeitado e admirado por todos os telespectadores). Durante as entrevistas com os convidados, sempre fazia questão de dar um “selinho” como forma de demonstrar seu amor e carinho para com os convidados.

Por fim, no início desta década, a apresentadora (já com seus 83 anos bem vividos) vinha lutando contra alguns problemas de saúde. Quando, inevitavelmente, veio a falecer de uma parada cardiorrespiratória.

Fã de musica clássica, da vida no campo (sendo inclusive dona de várias cabeças de gado), além da alta cultura, a apresentadora nunca deixou de expressar seus sentimentos e querelas mais profundas em suas transmissões de TV. Foi uma das personalidades midiáticas a pedir a prisão perpétua do maníaco Champinha (o assassino de Liana Friedenbach). Também, durante sua carreira, jamais deixou de identificar-se com os sentimentos da população brasileira em relação à corrupção que era tão cometida pelos partidos de centro e esquerda, desde os anos 90. Por várias vezes, sugeriu o fechamento do congresso, em razão das tamanhas impunidades cometidas na alta administração do país.

Lembro-me de, quando criança, sempre ouvir meu velho avô e a madrasta de minha mãe, a comentarem sobre as novidades que eram destacadas no programa da Hebe. E o tamanho carinho que tinham pela apresentadora. Uma comunicadora de tamanha classe e estirpe que, com sua beleza, sofisticação, e virtudes, ofuscaria quaisquer aberrações existentes, nos dias de hoje, na TV brasileira. Hebe Camargo é mais uma dentre tantos exemplos de personalidades históricas que deveriam ser copiadas, a fim de se promover a identidade brasileira, misturando a simplicidade e a nobreza como ingredientes básicos neste caldo de cultura nacional.

13 recomendado
bookmark icon