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Rafael Dantas — Guedes X Marinho: a suposta ameaça à democracia que abriga disputa ideológica em seu Governo

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O Embaixador americano no Brasil, Todd C. Chapman publicou no dia 07, foto ao lado do Ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes em que destaca que os EUA são os maiores investidores no Brasil e continuam interessados em apoiar as reformas econômicas em implantação.

A relevância desse tweet, aparentemente protocolar, é que ele nos prestará a desenredar a disputa entre Paulo Guedes e Rogério Marinho, atual Ministro do Desenvolvimento Regional. Guedes cristalinamente de visão Liberal da economia e Marinho representante da linha desenvolvimentista, portando adepto do “quanto mais investimento público melhor”.

A aparente desvantagem de Paulo Guedes é que o tempo de maturação de suas ações é muito mais lento. O que no Brasil é agravado pelo enraizamento das ideias Keynesianas. É preciso contextualizar essa última afirmação para que leitor possa compreender minimamente o funcionamento da dinâmica de uma Economia.

O Brasil viveu duas fases de financiamento de seu déficit público desenfreado. A primeira durou até 1994, quando da criação do Plano Real, e consistia basicamente da emissão de moeda tendo seu ápice no início da década de 90 com o IPCA atingindo 82,39% ao mês. A partir do Plano Real passamos a controlar a inflação através de uma Política Monetária restritiva com juros altos, isto é, para que o Estado mantivesse seu papel no fomento da economia, passou a emitir títulos com valores cada vez mais altos pois a relação risco x preço precisava valer a pena.

Paulo Guedes ousou quebrar esse ciclo de déficit em nossas contas públicas mudando o foco de protagonismo e possibilitando que os juros caíssem aos 2% atuais. Mas para que isso dê resultado e nossa economia volte (ou comece) a crescer, um novo personagem principal (setor privado) precisa dominar o palco. E é exatamente a morosidade desse movimento que abre flanco para Rogério Marinho e sua retórica estatista.    

A mensagem que Todd Chapman dá ao publicar foto com Paulo Guedes durante essa celeuma de Guedes (liberalismo) e Marinho (estatismo) é de que a maior potência econômica do mundo colaborará para fortalecer a confiança de suas empresas na economia brasileira e consequentemente para o triunfo do Ministro da Economia.

Outro fato tranquilizador divulgado pelo blogueiro do Jornal O Globo, Lauro Jardim, foi a ligação feita pelo Presidente Jair Bolsonaro para o Ministro do Desenvolvimento Regional, tendo como testemunha José Múcio Monteiro, presidente do TCU, em que Jair diz ao Marinho: “Sabe quando a pessoa está numa competição cabo de guerra? Sabe onde a corda arrebenta? No lado mais fraco. Fica atento”. Seguido do seguinte diálogo entre Bolsonaro e o Presidente do TCU: “Presidente, quantos substitutos o senhor tem para o Paulo Guedes?”. Nenhum, foi a resposta. Múcio fez uma segunda pergunta: “E para o Rogério Marinho?”. “Uns vinte”.

Com essa conversa o projeto de aliança Liberal-Conservadora respira aliviado.

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