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Luis Manoel Siqueira: A mentira como método

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A mentira nunca foi tão utilizada como método, sobretudo no Brasil, nos últimos 30 anos. Nos governos, nas universidades, nas relações interpessoais e até mesmo em algumas igrejas…

Doc Marquis foi um dos maiores satanistas do mundo. Convertido ao cristianismo, revelou diversos detalhes dos rituais e artifícios sinistros ao culto daquele que nunca desistiu de conquistar a humanidade. Segundo Marquis, uma das frases mais poderosas entre os satanistas e simpatizantes é “DEUS MEUMQUE JUS”, cuja tradução latina para o Português é “DEUS E MEU DIREITO”.

Não é difícil perceber os significados malignos contido nas entrelinhas da frase. Diz a História que serviu de lema para Henrique V lastrear seu poder, independente do poder divino. Mas, convenhamos, ninguém precisa ser um especialista em História, Semântica ou em Teologia para perceber que a frase foi primeiramente dita pela serpente no livro do Gênesis: “Comam o fruto, é um direito de vocês. Certamente que não morrerão. Serão iguais a Ele!”

Doc Marquis sabia do que alertava. Não à toa que diversas sociedades secretas adotam essa mesma frase como lema. “Quem disso usa, disso cuida”, diz o ditado.

A mentira nunca foi tão utilizada como método, sobretudo no Brasil, nos últimos 30 anos. Nos governos, nas universidades, nas relações interpessoais e até mesmo em algumas igrejas — infelizmente. As delações premiadas da Operação Lava-Jato talvez sirvam como prova. As que ainda virão, talvez aos incautos e teimosos incrédulos. A mentira permeou a nossa sociedade, distorcendo a verdade de uma forma tão maligna que tentou (e ainda tenta) destruir a família, a infância, a fé, a moral, as tradições sob as quais repousam os alicerces de nossa civilização, da História do nosso país. Os valores de nossos antepassados — dos quais somos herdeiros e também resultado.

Nunca se mentiu tanto por tão pouco ou nada. Pelo hábito ou vício. Em cada ambiente de trabalho, nas repartições públicas, nos hospitais, nos livros de auto-ajuda, teses, dissertações, pesquisas, discursos, tratados diplomáticos entre países. A imprensa tradicional mundial perdeu a confiança e, duvido que um dia a recupere. Henry Louis Mencken e Paulos Francis — mesmo com suas causticas irreverências — nunca usaram da mentira como ferramenta de trabalho. Nem se venderam. Outros existem. Bem poucos.

Um famoso político brasileiro zombou de mim ao lhe afirmar que apoiaria Jair Bolsonaro antes das eleições: “Este rapazinho não tem a menor chance!”. Meses depois da vitória, ao me reencontrar com ele numa festa de aniversário, sentou na minha mesa e reconheceu: “Luis, o povo cansou!”.

O povo cansou de tanta mentira. Ainda está cansado. O povo se reencontrou com a voz que lembrava: “A Verdade vos libertará”. Mesmo sendo através de um simples ex-capitão do Exército. Eu tenho o direito de fazer o que desejo da minha vida, fazendo o oposto da vontade de Deus, mas as consequências serão todas minhas.

Henrique V venceu muitas batalhas como rei. Mas morreu de uma disenteria. O seu lema não mudou a condição humana, nem lhe perpetuou o poder e o direito, sempre tão efêmero, e que, no seu caso, lhe deixou banhado em fezes.

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