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Andrea Barnes — Eleição presidencial americana: Trump x oligarquias

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O interesse da grande mídia na eleição presidencial americana vai muito além da política, tem muita coisa envolvida.

“Joe Biden é o presidente eleito dos Estados Unidos”. Você sabe qual foi o primeiro veículo a fazer essa declaração, na madrugada da contagem de votos? A CNN, subsidiária e ventríloqua da AT&T. E quem é a AT&T?

A AT&T é um dos maiores conglomerados do mundo e muitos dos seus bilhões de dólares são provenientes de lucrativos contratos federais. A AT&T está também apostando alto na implantação de sua tecnologia 5G nos Estados Unidos.

A AT&T investiu pesadamente na campanha de Biden. Seus funcionários foram a décima maior fonte de contribuições para a campanha de Biden, que tornou-se figurinha fácil nos eventos de arrecadação de fundos dos lobistas da AT&T. Steve Ricchetti, ex-chefe de gabinete de Biden e homem de sua confiança, conduziu a campanha presidencial de Biden. Há nove anos, a empresa Ricchetti Consulting Group tem apenas um cliente corporativo, a AT&T. Através de Biden, a AT&T e seus interesses econômicos terão chegado à Casa Branca.

O Salão Oval tornou-se uma questão pessoal para a AT&T. Trump lutou contra a fusão ilegal entre a AT&T e a Time Warner, que inclusive  prejudicou os consumidores. Para que a fusão entre a AT&T e a Time Warner acontecesse, o Departamento de Justiça americano determinou que a AT&T vendesse certos bens, entre eles a CNN. No que depender da AT&T, o próximo presidente será Biden, subserviente aos seus planos de expansão.

O partido Democrata diz que a CNN tem autoridade para declarar o resultado oficial da eleição. Isso significa que a AT&T tem o direito de escolher o presidente. Só que isso não é democracia, é oligarquia.

Menos de um minuto depois da AT&T/CNN ter “eleito” Biden, a Comcast fez o mesmo através de suas empresas NBC e MSNBC. Assim como a AT&T, a Comcast tem laços estreitos com Joe Biden e uma animosidade ainda mais profunda em relação ao presidente Trump.

O lançamento da campanha de arrecadação de fundos de Biden foi feito na casa de David Cohen, na Filadélfia. Cohen é vice-presidente executivo da Comcast e principal conselheiro do CEO da Comcast. Cohen é ainda membro do partido Democrata na Filadélfia e tido como uma das pessoas mais poderosas do estado. Sob seu comando, a Comcast gastou 14 milhões de dólares por ano fazendo lobby na capital em Washington. O Washington Post chegou a chamá-lo de “arma secreta da Comcast”.

A NBC não foi coadjuvante na oposição ao presidente Trump. Pelo contrário, foi fundamental, junto com a CNN. Em descarada violação da lei, a Comcast engoliu a NBC Universal, e o presidente Trump alertou que a Comcast “viola sistematicamante as leis antitruste”. Não conseguiu ficar com a divisão de entretenimento da FOX, então para continuar crescendo precisa continuar adquirindo criadores de conteúdo e provedores de TV a cabo. Seu desejo de fusão com a Verizon, que tornaria seu monopólio ainda maior, será barrado a menos que Biden seja eleito. Após perder a Time Warner para a AT&T, a Comcast quer Trump fora da presidência.

Brian L. Roberts, CEO da Comcast e filho do fundador da empresa, era parceiro de golfe de Obama. Funcionários e executivos da Comcast são os sétimos maiores contribuintes de Biden ao longo de sua carreira. Nessa eleição, seus funcionários foram a décima sétima maior fonte de doações para sua campanha.

Este ano, Roberts anunciou que a Comcast estava investindo 100 milhões de dólares em várias organizações aliadas aos Democratas, entre elas a racista National Action Network de Al Sharpton, a NAACP e o Community Justice Action Fund, financiado por empresas intimamente ligadas aos Democratas e sua agenda política. A Comcast não investe em Sharpton e outras organizações políticas por pura ideologia. Ela os transforma em capital político para a conquista da NBC. Roberts, Cohen e Comcast têm nos Democratas e as organizações de esquerda sua ferramenta de expansão.

É irônico que apesar de todos esses investimentos na chamada justiça social, a Comcast tenha sido multada por discriminar seus funcionários na Filadélfia.

A Comcast também quer expandir para cima das atividades do governo. Ano passado, contratou a BluVector para vender segurança cibernética e criou uma divisão de vendas voltada para contratos federais. Com certeza, as vendas serão bem melhores sem o presidente Trump.

Em seguida à CNN, a NBC e a MSNBC, Biden foi declarado presidente-eleito pela CBS, através de duas de suas redes, a National Amusements e a Shari Redstone. Os funcionários da National Amusements doaram principalmente para Joe Biden. Mais significativamente, John Orlando, o principal lobista da CBS, é um dos fortes indicados de Biden para chefiar a FCC (Federal Communications Commission, órgão regulador das telecomunicações). Susan Fox, da Disney, é outra forte indicada. Não por acaso, a ABC News, da Disney, foi a seguinte a anunciar Biden como presidente-eleito.

O próprio chefão da Disney, Bob Iger, que chegou a considerar concorrer à presidência, doou 250 mil dólares para o Fundo para a Vitória de Biden. Abigail Disney, a neta esquerdista radical de Roy Disney, doou outros 50 mil.

Com estrutura irremediavelmente atrelada à infraestrutura Democrata, os funcionários da Disney foram a décima quarta maior fonte de doações políticas de Biden. O grande foco da Disney está na China, e depende do lançamento de filmes e da manutenção de propriedades na ditadura comunista para crescer. Biden tem laços de longa data com Hollywood, tendo ajudado a fechar negócios na China.

As políticas de imigração do presidente Trump e a resistência à China foram ruins para a Disney. A Disney depende da substituição de trabalhadores americanos pela mão-de-obra barata dos imigrantes e de um canal aberto de negociação com a China. Isso torna a remoção de Trump do cargo de presidente vital para proteger seu modelo de negócios e seu próprio futuro.

Assim como a AT&T e a Comcast, a Disney quer ver o presidente Trump fora da Casa Branca, não por motivos contratuais domésticos ou federais, mas para proteger sua dependência econômica na China comunista.

Depois que a oligarquia que está engolindo a economia americana declarou seu presidente-eleito, o que se seguiu foi apenas uma procissão.

A Associated Press, chefiada por Steven R. Swartz, o CEO da Hearst Communications, e Gary B. Pruitt, o ex-CEO da McClatchy, “elegeram” Biden. Hearst é uma parceira da Disney.

E então foi a vez da FOX News de declarar Biden presidente-eleito. Embora a FOX News chame seu sistema de Fox News Voter Analysis, ele não é originário da FOX, vem do AP VoteCast, um projeto do National Opinion Research Center da Universidade de Chicago. O NORC é financiado pela National Science Foundation, cujos diretores servem por seis anos. É por essa razão que France Cordova, indicada por Obama, esteve no controle da NSF durante a maior parte do primeiro mandato de Trump. Os dados usados pela FOX News para basear suas análises vieram daí.

Porém, desde o ano passado a FOX Corp já tinha se decidido por Biden ao contratar Danny O’Brien – ex-chefe de gabinete de Biden e chefe de sua campanha presidencial de 2008 – como seu lobista principal. O’Brien continuou trabalhando para ajudar a campanha de Biden enquanto fazia lobby para a FOX. Isso não foi um mero acidente, foi planejado.

Após entregar a maioria de sua valiosa divisão de entretenimento para a Disney, a FOX Corp virou uma sombra de si mesma, mas ainda tem interesses comerciais além da FOX News. A real intenção da Disney era que a FOX não pudesse mais competir com os chefões do monopólio.

A ordem na divulgação dos resultados nos estados e a declaração de Biden como presidente-eleito por esses veículos da grande mídia escancarou o quem-é-quem da oligarquia americana. É a teoria dos meios de ação do filósofo Olavo de Carvalho: “quem tem os meios de ação, tem poder”. Não se trata apenas do presidente Trump ou da eleição. Essa é uma disputa entre cachorros grandes pelo controle dos meios de ação. Os cachorrões são a AT&T e Comcast, seguidos dos cães de porte médio Disney e National Amusements, e por último os cachorrinhos AP e FOX, esses que, sem futuro, atendem a interesses de alguns cachorrões, esses sim, os grandes participantes da nova economia americana.

Os Democratas insistem que o resultado da eleição é aquele que a AT&T, a Comcast e a Disney declararem. Ou seja, para o partido da justiça social e do dinheiro sujo, um monopólio em expansão, concentrado nas mãos de poucos, é quem pode e deve decidir quem será o presidente.

Mas a verdade é que os Estados Unidos não são uma oligarquia. As grandes corporações esquerdistas ou seus porta-vozes da mídia não escolhem os candidatos presidenciais. A oligarquia está sufocando o país. Terceirizou a economia, saqueou os recursos e deprimiu a nação, concentrando riqueza e poder em cidades chaves.

A verdadeira questão nessa eleição é se as oligarquias conseguirão governar o país.

O mapa de votação transformou os condados em segmentos econômicos, no qual os mais ricos se concentram ao redor do governo e poder corporativo, e o resto luta para sobreviver. A verdadeira pobreza não está nos acampamentos dos sem-teto urbanos mantidos pelos Democratas, mas em partes da área rural e no Cinturão de Ferrugem, que apesar das dificuldades, ainda dão duro todos os dias. O presidente Trump conquistou seu apoio por que enfrentou a oligarquia, e agora a oligarquia está tentando esmagá-lo.

A eleição de 2020 não decidirá apenas quem ocupará a Casa Branca pelos próximos quatro anos. A verdadeira questão é se quem decide são as oligarcas AT&T, Comcast e Disney ou se é o povo americano.

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